Deméter: Mito e Arquétipo / Demeter: Myth and Archetype

CLICK HERE FOR THE ENGLISH VERSION
DEMÉTER: MITO GREGO EM RESUMO

Cronos (pai de Deméter) casou com a sua irmã Reia, que lhe deu seis filhos: três mulheres (Héstia, Deméter e Hera) e três homens (Hades, Poseidon e Zeus). Como tinha medo de ser destronado por causa de uma maldição de um oráculo, Cronos engolia os filhos ao nascerem. Comeu todos, exceto Zeus, que Reia conseguiu salvar enganando Cronos ao enrolar uma pedra em um pano, a qual ele engoliu sem perceber a troca. Reia escondeu Zeus numa caverna no monte Ida, em Creta. Quando Zeus cresceu, resolveu vingar-se de seu pai, solicitando, para esse feito, o apoio de Métis — a Prudência — filha do titã Oceano. Esta ofereceu a Cronos uma poção mágica que o fez vomitar os filhos que tinha devorado.

Deméter era a deusa da colheita e da agricultura, uma olímpica. Era também deusa da terra cultivada e das estações do ano. Sua primeira filha foi Perséfone, fruto do estupro de Zeus. Perséfone era maior alegria da mãe. Um dia Perséfone estava no campo colhendo flores com suas irmãs quando Hades (Rei do submundo) a sequestrou. Deméter, desesperada, saiu do Olimpo em busca de sua filha e, durante nove dias e nove noites, vagou em vão. Hélio, o deus sol, vendo a angústia de Deméter, contou-lhe que Perséfone havia sido levada por Hades.

Muito entristecida pela falta de Perséfone, Deméter não voltou ao Olimpo e a população começou a sofrer com a escassez de alimentos, pois a deusa não estava mais exercendo sua função de promover a fertilidade da terra, então Zeus teve que intervir. Durante o tempo em que Perséfone estava no mundo dos mortos, Hades lhe deu uma romã para que ela comesse. Quando Deméter conseguiu resgatar sua filha, soube que ela havia se alimentado no reino de Hades e não poderia deixá-lo para sempre. Então Hades e Deméter fizeram um acordo baseado na quantidade de sementes que Perséfone havia comido no mundo dos mortos: o número de sementes seria o número de meses que ela passaria no submundo, então Perséfone ficaria com a mãe dois terços do ano e com Hades o outro terço.

Se você quer ler mais sobre o mito e arquétipo de Perséfone, clique aqui.

MITO DA MÃE PERFEITA

Deméter representa o arquétipo do instinto materno, o desejo de estar grávida e de ter filhos. Ela é a mulher-mãe: gosta de estar grávida, de amamentar e de cuidar de crianças. Geradora não só de vida mas também de sentimentos, emoções, experiências. É a que protege, acolhe e alimenta, e se apresenta com reservas aparentemente inesgotáveis de energia.

O arquétipo de Deméter em nossa sociedade patriarcal é muito valorizado, porém a mulher quando se torna mãe deve se afastar dos eventos sociais. A criança não é bem recebida nos ambientes “de adulto” e a mãe, por consequência, perde seu lugar para ter que ficar em casa cuidando da cria. Em muitos países, incluindo o Brasil, não há políticas públicas que incluam mulheres com filhos, excluindo assim a mulher-mãe da sociedade.

A verdadeira relação do arquétipo de Deméter é com a VIDA da comunidade, ela não é necessariamente uma pessoa do lar. Porém, a sociedade patriarcal ligou a mãe com o lar para que pudesse dessa forma controlar melhor a mulher. Deméter é um arquétipo que está ferido, pois reduzimos a mãe a uma conveniente máquina biológica de reprodução. Retiramos ela da comunidade e dos ambientes de trabalho em geral para confina-la numa abstração sentimental chamada família.

Há também um outro aspecto interessante de Deméter que foi completamente subjugado: o seu instinto sexual. Na busca do mito da mãe perfeita, a Igreja Católica santificou a mãe (na imagem da Virgem Maria) e joga sobre a mulher esse fardo da dissociação entre maternidade e sexualidade. Porém, a mulher Deméter tem uma relação com a sexualidade bem grande e desmistificada, porque ela é devota ao outro, gosta de cuidar excessivamente. O grande problema para a mulher Deméter é que na sua relação com esse outro existe uma entrega muito grande e ela acaba pensando mais no outro do que nela mesma.

CONHECIMENTO FEMININO

ANCESTRAL DE DEMÉTER

Deméter possui em si o conhecimento sobre o mistério dos ciclos da vida, que na sua relação com sua filha Perséfone ela o passa adiante, simbolizando assim a relação do conhecimento ancestral sobre a vida e a morte, passado de mãe para filha.

Nas religiões matrilineares existia uma exaltação da relação entre mãe e filha para que elas pudessem passar seu conhecimento sobre o corpo e os ciclos da vida. Existe algo no poder de gerar a vida que nos leva a entender o mistério da morte.

A primeira relação de uma menina com a morte (se ela não teve mortes de parentes próximos) é a sua menstruação. A menina aprende na relação com seu corpo e com seu ciclo menstrual, as relações de morte e vida. Porém, em nossa sociedade patriarcal esse conhecimento foi privado de ser passado de mãe para filha. A menstruação se tornou um tabu e algo sujo, que deve ser escondido, pois o Cristianismo quis impôr um controle através do controle dos corpos e privou as pessoas de conhecê-lo e entendê-lo em seus mistérios.

Relação Perséfone e Deméter é o mito da conexão mãe e filha: existe uma projeção entre mãe e filha, que na atualidade foi transformada em rivalidade. Jung diria que a beleza e a maravilha que uma mãe vê em uma filha é a percepção do seu próprio self feminino transcendente, a perfeição do ser feminino.

Deméter, como no mito grego, é um arquétipo que tem prazer em ver seus filhos crescerem. Há algo no ciclo da vida que a fascina. Porém mulheres que possuem esse arquétipo doente podem sofrer consequências psicológicas quando os filhos crescem e deixam a casa, pois elas querem imortaliza-los ao seu lado. As consequências mais comuns são: a mãe que sempre acha que a nora nunca é suficiente para o filhinho dela ou a “síndrome do ninho vazio” que causa depressão nas mulheres quando os filhos saem de casa.

Reencontrar o arquétipo de Deméter é entrar em contato com esses mistérios que todas nós carregamos, mesmo as pessoas que não são mães ou mulheres. Todas nós (mulheres/homens) somos capazes de entender o ciclo vida-morte da natureza se entrarmos em contato com Deméter, porém apenas as pessoas que possuem útero conseguem entender em seu corpo esse mistério na relação com o ciclo menstrual.

Referências:

BOLEN, Jean Shinoda. As Deusas e a Mulher. Ed. Paulus. 1990. https://carlalindolfo.wordpress.com/2010/02/27/os-arquetipos-das-deusas-e-o-feminino/ https://pt.wikipedia.org/wiki/Deméter https://educacao.uol.com.br/disciplinas/artes/mito-e-arte-representacoes-de-demeter-e-persefone.htm?cmpid=copiaecola https://pt.wikipedia.org/wiki/Cronos https://ipth.com.br/arquetipos-do-sagrado-feminino/ Live: Maria Fernanda de Barros Batalha: https://www.facebook.com/mariafernanda.batalha/videos/2874942592560875?locale=pt_BR

Para evitar que eu fique postando sempre a mesma coisa em todos os posts, eu recomendo a leitura desse post para entender melhor o contexto da minha pesquisa e em que momento estou.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Crie seu site com o WordPress.com
Comece agora
%d blogueiros gostam disto: