Afrodite: Mito e Arquétipo / Aphrodite: Myth and Archetype

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AFRODITE: MITO GREGO EM RESUMO

Afrodite, também conhecida como Vênus pela mitologia romana, é a deusa do amor e da beleza. Os mitos sobre sua origem diferem em algumas escrituras e de acordo com a Wikipedia e o livro de Bolen, uma das versões mais conhecidas é a contada por Hesíodo.

Origem de Afrodite segundo Hesíodo

Segundo essa versão, Urano foi gerado espontaneamente por Gaia (a Terra) e casou-se com sua mãe. Urano tem vários filhos, entre os quais os titãs, os ciclopes e os hecatônquiros (seres gigantes de 50 cabeças e 100 braços). Por ciúmes e medo ele mantém todos seus filhos presos no interior de Gaia, a Terra. Esta então instiga seus filhos a se revoltarem contra o pai. Cronos, o mais jovem, assume a liderança da luta contra Urano e, usando uma foice oferecida por Gaia, cortou seu pai em vários pedaços.

Afrodite teria nascido quando Cronos cortou os órgãos genitais de Urano e arremessou-os no mar; da espuma (aphros) branca surgida ergueu-se Afrodite.

Origem de Afrodite segundo Homero

No entanto, existe uma versão de Homero, anterior a Hesíodo, em que ela era filha de Zeus e Dione. Durante o período de Platão, os gregos haviam solucionado este conflito afirmando que Afrodite tem dois aspectos diferentes, sem individualizar o culto: a primeira Afrodite Urânia, seria a Afrodite celeste, do amor divino. A filha de Zeus seria a Afrodite do amor comum, do povo, denominada Afrodite Pandemosde onde emanava o amor físico e desejos lascivos.

AFRODITE: O ARQUÉTIPO

DA DEUSA ALQUÍMICA

Uma mulher com o arquétipo de Afrodite mais aflorado tem um grande poder transformador, representa a composição harmoniosa entre os aspectos das deusas virgens e das vulneráveis. Não é vulnerável pois seus relacionamentos são correspondidos, e, não é virgem pois valoriza as experiências emocionais e os relacionamentos, mas não como permanentes e duradouros. Porém ela permite a empatia entre as pessoas e tem necessidade de estar em relação (consciência difusa) e também visa seus próprios objetivos e interesses (consciência focada).

Se você quiser ler mais sobre a divisão dos arquétipos, clique aqui.

“Ela pede pela conexão com o outro pois, sem essa conexão nada se cria e, portanto, não há transformação.”

Carla Lindolfo

As mulheres Afrodite são atraentes, não necessariamente belas para os padrões vigentes. Possuem carisma e por isso, não necessariamente, se vestem ou portam-se de maneira chamativa. Elas possuem algo interior, que surge de dentro para fora, em forma de vivacidade, espontaneidade e sensualidade natural.

Lembrando que essas características podem ser encontradas em todas as mulheres, desde que elas se conectem com sua energia arquetípica de Afrodite. Em algum momento de nossas vidas podemos estar mais ou menos conectadas com esse arquétipo.

AFRODITE: HIPERSEXUALIZAÇÃO

DA MULHER E A CONDIÇÃO DE AMANTE

Quando lemos com cuidado o mito de Afrodite, podemos identificar o embrião da heteronormatividade (que obviamente não é construída somente a partir desse mito) pois quando contamos uma história, a escolha de seus personagens tem muito a ver com o que queremos dizer. Em seu mito Afrodite nasce do pênis decepado de Uranus que foi jogado ao mar e surge de sua espuma branca, como se a beleza e sensualidade da mulher tivesse nascido de um homem e de seu esperma, apenas. Colocamos mais uma vez a mulher como parte do homem, não sendo um ser inteiro e dependendo da relação com o homem para existir.

Sensualidade de Afrodite

Afrodite representa o arquétipo da mulher sensual, aquela que não tem problemas e tabus com seu corpo e com seus desejos. Ela quer, ela vai atrás, ela atrai e ela conquista. Essa é uma característica muito rechaçada na nossa sociedade patriarcal, pois o homem não quer uma mulher livre, ele a quer controlar. Como ele fará para ter certeza que seus herdeiros são seus filhos se sua esposa não for monogâmica e não tiver seus desejos (especialmente os sexuais) controlados por ele?

Foram milhares de anos repreendendo o desejo da mulher e transformando Afrodite em um arquétipo sem espaço em nossa sociedade. À mulher que se identifica com esse arquétipo só resta o papel de amante, pois se ela quiser ser esposa deve se assemelhar à virgem Maria (a virgem mãe).

Afrodite e o amor romântico

Afrodite não se encaixa na nossa ideia de amor romântico, para ela tem que ter coração e tesão em todas as relações. Ela é extremamente ligada aos prazeres do corpo, da sensação e do momento. Por seu poder de encantamento, os homens muitas vezes se utilizam dessa “desculpa” para saírem como vítimas de situações de deslealdade com suas esposas: “Eu não queria te trair, mas ela me seduziu”, diz o marido à esposa. Como se diante da mulher hipersexualizada e hipnotizante não houvesse outra saída senão ceder aos seus encantos, sublinhando a famosa frase: “Homem só sabe agir com o pinto.” E transformando os homens em seres irracionais, incapazes de controlar suas emoções e seus instintos sexuais.

Referências:

BOLEN, Jean Shinoda. As Deusas e a Mulher. Ed. Paulus. 1990. https://carlalindolfo.wordpress.com/2010/02/27/os-arquetipos-das-deusas-e-o-feminino/ https://pt.wikipedia.org/wiki/Urano_(mitologia) https://pt.wikipedia.org/wiki/Afrodite. https://ipth.com.br/arquetipos-do-sagrado-feminino/ Live: Maria Fernanda de Barros Batalha: https://www.facebook.com/mariafernanda.batalha/videos/2824111547643980?locale=pt_BR

Para evitar que eu fique postando sempre a mesma coisa em todos os posts, eu recomendo a leitura desse post para entender melhor o contexto da minha pesquisa e em que momento estou.

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